terça-feira, 19 de agosto de 2014

Você

Um dia você vai estar sozinho, vai fechar os olhos e tudo estará escuro, os números da sua agenda passarão claramente na sua frente e você não terá nenhum para discar, sua boca vai tentar chamar alguém, mas não há ninguém solidário o bastante para sair correndo e te dar um abraço, nem te colocar no colo até que o mundo pare de girar, e nessa fração de segundos, quando seus pés se perderem do chão, você vai lembrar da minha ternura e do meu sorriso infantil. Virão súbitas memórias dos meus abraços, da minha preocupação com você e só vão ter algumas músicas repentinas no seu rádio, as nossas. Em um novo momento você vai sentir um aperto no peito, uma pausa na respiração e vai torcer bem forte para ter o nosso mundinho de novo, o nome disso é saudade, aquilo que eu tinha e te falava sempre. E quando você finalmente discar o meu número, ele estará ocupado demais, ou nem será mais o mesmo, ou até eu nem queira mais te atender, e se você bater na minha porta ela estará trancada, se aberta, mostrará uma casa vazia. Seus olhos te ensinarão o que são lágrimas, aquelas que eu te disse... O nome do enjoo que você vai sentir é arrependimento, e a falta de fome que virá chama-se tristeza. Então quando os dias passarem e eu não te ligar, quando nada de bom te acontecer e ninguém te olhar com meus olhos, você encontrará a famosa solidão. A partir daí o que acontecer, pode chamar de surpresa. E provavelmente o remédio para todas essas sensações, é o tal tempo, sim, aquele que você tanto falava.

Dani

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