Uma lágrima rolou ao ver as fotos que ilustravam a notícia de manchete “Crianças foram mortas enquanto dormiam, diz ONU sobre ataque a escola em Gaza”. A manchete já é capaz de paralisar qualquer um. É impossível ficar com o coração ileso ao ver crianças, bebês, com os corpos marcados, mutilados por estilhaços de uma guerra de homens de lata.
Quando eu era criança e aprendia nos livros de história sobre as guerras, via imagens de destruições, achava que elas estavam presas ao passado e aos livros. Uma doce ilusão que essa criança não pode possuir. Seu olhar sem brilho revela sua esperança roubada por homens que esqueceram – ou talvez nunca souberam – o valor da vida. Ela não aprendeu sobre a guerra numa sala de aula ou em livros. Ela sequer deve saber o motivo de seus amigos – e talvez também seus pais - serem mortos. Ela vive num campo minado. Ela não pode correr livre como eu e você corríamos durante o recreio da Escola. Ela precisa correr de soldados e de bombas, e esse pega-a-pega, pode custar sua vida. Ela pode dormir e quem sabe durante um sonho, torne-se mais um anjo.
Tenho vontade de pegar cada uma dessas crianças no colo. Trazer para o Brasil – é, o Brasil que tanto reclamamos da falta de saúde, educação, segurança – seria o paraíso para essas crianças. Contar estórias de ninar e deixar que adormecessem seguras num abraço. Sair pelas ruas e brincar no parque, sem deixar que o medo e a desconfiança roubassem a inocência de sua infância. Queria poder devolver a cada uma dessas crianças a esperança.
Dani




