sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Viagem de ônibus

Para as pessoas que me conhecem, já devem ter reparado que situações diferentes, inusitadas e ás vezes engraçadas, vivem acontecendo comigo nas viagens de ônibus por aí. Foi com elas, inclusive, que aprendi a maior lição para quem almeja contar histórias: saber ouvir! Pode parecer simples, mas não é. Com a rotina quase sempre agitada e com as nossas obrigações nos sufocando cada vez mais, esta ação torna-se mais difícil. O lado negativo disto é que as respostas e o sorriso que buscamos naqueles dias em que estamos loucos da vida podem estar ali… na paciência de ouvir o outro.

O despertador toca. São sete horas da manhã e preciso ir ao médico que fica do outro lado da cidade. O despertador toca novamente, mas eu desligo uma, duas e meu Deus, quando vejo já estou atrasada! Depois de tomar banho e terminar de me arrumar saio de casa. Ando cinco minutos até o ponto de ônibus sob a garoa fina que caia em Santo André naquele dia. Após esperar vinte minutos, entro no ônibus – cheio e com as janelas fechadas – e antes de passar na catraca, uma senhora com seus 60 anos de idade pede para seu neto sentar-se no colo para ceder o lugar a mim.

- Filha, pode sentar aqui ao meu lado.

- Imagina, pode deixar o menino aí mesmo, eu passo para trás. Muito obrigada!

- Que isso! Pode sentar, por favor.

Sentei. E antes que pudesse acessar o Facebook pelo celular, ela olhou para mim e disse:

- Foi difícil acordar hoje. Tá frio, né?!

- É, realmente. Está muito frio!

- Foi difícil acordar meu neto. Estou levando ele ao psicólogo, porque hoje ele não conseguiu dormir direito sem a mãe.

- Ah é?! Poxa vida, eu também sou muito apegada à minha mãe. Ela foi viajar?

- Não, ela morreu faz um mês e acho que a ficha ainda não caiu. Não é a ordem natural da vida.

Então, a senhora desabou, desabafou, chorou. Ao descer no ponto em frente ao Paço Municipal, ela olhou com ternura para mim e pediu para que Deus me abençoasse. “Olha filha, obrigada, viu?! Desculpa o transtorno, mas é que as lágrimas estavam presas desde o dia em que recebi a notícia. E filha, valoriza sua família, tá bem? Porque a gente nunca sabe quando vão tirar alguém que amamos de nós”. E o estresse que sentia, desapareceu.

Dani

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pela visita hoje (: