O despertador toca. São sete horas da manhã e preciso ir ao médico que fica do outro lado da cidade. O despertador toca novamente, mas eu desligo uma, duas e meu Deus, quando vejo já estou atrasada! Depois de tomar banho e terminar de me arrumar saio de casa. Ando cinco minutos até o ponto de ônibus sob a garoa fina que caia em Santo André naquele dia. Após esperar vinte minutos, entro no ônibus – cheio e com as janelas fechadas – e antes de passar na catraca, uma senhora com seus 60 anos de idade pede para seu neto sentar-se no colo para ceder o lugar a mim.
- Filha, pode sentar aqui ao meu lado.
- Imagina, pode deixar o menino aí mesmo, eu passo para trás. Muito obrigada!
- Que isso! Pode sentar, por favor.
Sentei. E antes que pudesse acessar o Facebook pelo celular, ela olhou para mim e disse:
- Foi difícil acordar hoje. Tá frio, né?!
- É, realmente. Está muito frio!
- Foi difícil acordar meu neto. Estou levando ele ao psicólogo, porque hoje ele não conseguiu dormir direito sem a mãe.
- Ah é?! Poxa vida, eu também sou muito apegada à minha mãe. Ela foi viajar?
- Não, ela morreu faz um mês e acho que a ficha ainda não caiu. Não é a ordem natural da vida.
Então, a senhora desabou, desabafou, chorou. Ao descer no ponto em frente ao Paço Municipal, ela olhou com ternura para mim e pediu para que Deus me abençoasse. “Olha filha, obrigada, viu?! Desculpa o transtorno, mas é que as lágrimas estavam presas desde o dia em que recebi a notícia. E filha, valoriza sua família, tá bem? Porque a gente nunca sabe quando vão tirar alguém que amamos de nós”. E o estresse que sentia, desapareceu.
Dani
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